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Afinal, O Que Determina a ResistĂȘncia ao Desgaste de um Revestimento?

  • May 20, 2020
  • 3 min read

  A aplicação de revestimentos para a proteção de peças e componentes contra os variados tipos de mecanismos de desgaste Ă© notĂłria em diversos setores industriais. Os revestimentos podem ser aplicados utilizando diferentes processos e ligas, sendo sem dĂșvida, uma alternativa eficiente para proporcionar um aumento do tempo de vida do componente. Entretanto, esta aplicação favorece o surgimento de diversos desafios operacionais e metalĂșrgicos.


  A princĂ­pio, Ă© importante destacar que cada situação e aplicação especĂ­fica exige uma solução diferenciada. As condiçÔes do tribossistema (corpo, contracorpo, elemento interfacial e meio ambiente) ditam as caracterĂ­sticas e propriedades necessĂĄrias que o componente sujeito ao desgaste deve conter, de modo a protegĂȘ-lo e aumentar o seu tempo de vida. AlĂ©m disso, o mecanismo de desgaste atuante (abrasivo, adesivo, corrosivo, erosivo, cavitação) ou a combinação destes, tambĂ©m Ă© um fator mandatĂłrio.


  Em relação aos indicadores de resistĂȘncia ao desgaste, o mecanismo envolvido Ă© um sistema primĂĄrio. Por exemplo, para solicitaçÔes de abrasĂŁo, a propriedade mecĂąnica de dureza, Ă©, geralmente, um indicador satisfatĂłrio. Em diversos trabalhos envolvendo anĂĄlises tribolĂłgicas de diferentes revestimentos sobre variadas condiçÔes de tribossistema, encontram-se resultados relatando que a dureza apresentou comportamento inversamente proporcional a perda de massa, a perda volumĂ©trica ou a taxa de desgaste. PorĂ©m, resultados contrĂĄrios tambĂ©m sĂŁo reportados por alguns autores. Desta forma, a dureza nĂŁo Ă© uma caracterĂ­stica preditora, mas apenas um indicativo da resistĂȘncia Ă  abrasĂŁo. Uma descrição similar tambĂ©m Ă© encontrada em relação ao coeficiente de atrito. O mesmo pode ser observado em relação a tenacidade, mĂłdulo elĂĄstico, dentre diversas outras propriedades mecĂąnicas.



  Em relação a dureza, tĂȘm-se por exemplo a relação proposta por Khruschov, que relaciona a dureza do abrasivo com a dureza do material atravĂ©s de uma divisĂŁo direta, fornecendo um valor que pode ser consultado em uma tabela, a partir do qual o regime de desgaste pode ser considerado moderado, de transição, ou severo. Entretanto, o modelo Ă© aplicĂĄvel apenas em condiçÔes especĂ­ficas. A dureza tambĂ©m pode ser uma propriedade crucial sobre a transição de mecanismos de desgaste em condiçÔes de abrasĂŁo.


  Um outro elemento chave na resistĂȘncia ao desgaste de um revestimento Ă© a sua microestrutura. Aspectos relacionados a matriz, como dureza, ductilidade e tenacidade; as fases presentes, como tamanho, geometria, concentração na matriz e suas propriedades mecĂąnicas; e os mecanismos de endurecimento podem exercer influĂȘncia direta sobre o comportamento tribolĂłgico. No caso de revestimentos, a microestrutura Ă© estabelecida em funçÔes de vĂĄrios fatores, que englobam desde os materiais, condiçÔes do processo de deposição do revestimento, e aplicação de tratamentos pĂłs revestimento. Em relação a abrasĂŁo, a diluição (entenda como Ă© calculada a diluição no artigo) Ă© extensamente indicada na literatura como sendo um dos mais influentes fatores sobre as caracterĂ­sticas de microestrutura, dureza e resistĂȘncia ao desgaste.


  As condiçÔes ambientes onde o componente opera tambĂ©m devem ser observadas. Um revestimento de alta resistĂȘncia ao desgaste em condiçÔes de temperatura ambiente pode apresentar performance ruim em temperaturas elevadas de trabalho. Ambientes Ășmidos,  com presença de particulados em suspensĂŁo, e atmosferas quĂ­micas exigem componentes com caracterĂ­sticas especĂ­ficas. AlĂ©m disso, condiçÔes ambientais extremas podem desencadear a ação combinada de mecanismos de degaste.




  Esse tema é extremamente interessante e complexo de ser analisado, sendo difícil inferir conclusÔes certeiras. De fato, a alternativa mais prudente, principalmente tratando-se da avaliação da performance tribológica de revestimentos ainda seja a investigação  experimental.



Afinal de contas, tudo depende das caracterĂ­sticas do tribossistema. Fique atento sobre os principais processos de revestimento contra desgaste mecĂąnico e resistĂȘncia contra a corrosĂŁo nos nossos artigos.





Agradecemos ao Msc. Eng. Jurandir Marcos Sousa pela valiosa contribuição técnica na co-autoria do artigo.


ReferĂȘncias:


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